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Reaproveitamento de minerais no PA é chave para transição energética | G1


Mineração: imagem mostra minerais e alguns de seus itens finais
A transição energética justa e sustentável depende da extração de minerais críticos e estratégicos, associada a cadeias produtivas de baixo carbono e, principalmente, ao reaproveitamento de recursos minerais. Esse foi um dos principais temas da COP 30 em relação à atividade minerária.
🌍 Segundo o governo federal, a COP 30 consolidou o Brasil, e o Pará, como protagonistas rumo a um futuro que concilia consumo e preservação ambiental.
A mineração circular e o reaproveitamento de rejeitos mostram potencial para minimizar impactos ambientais e já são adotados no estado, apesar de desafios. Essa prática é fundamental para reduzir emissões e equilibrar a oferta global de insumos, aponta a Agência Internacional de Energia (AIE/IEA).
🔶“O reaproveitamento de minerais críticos será determinante para a redução das emissões e para o equilíbrio da oferta global desses insumos”.
Esta é a terceira reportagem da série sobre minerais críticos, transição energética e o papel do Pará no contexto da COP 30. Nesta matéria, você vai entender o potencial do reaproveitamento da produção e o que vem sendo realizado para uma transição energética mais sustentável e justa.
A primeira mostra o papel do Pará na busca por minerais essenciais na transição energética
E a segunda mostra o potencial da produção paraense de cobre e níquel
Mineração: imagem mostra minerais e alguns de seus itens finais
Reprodução
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Reaproveitamento mineral
🚗 Com a crescente necessidade de minerais críticos para baterias e semicondutores, como cobre, níquel e lítio, a reutilização máxima desses recursos é essencial.
Um desafio é expandir oportunidades sem pressionar comunidades e meio ambiente. Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), o foco está em aprimorar o reaproveitamento desses minerais.
O níquel e o lítio avançam em reciclagem para baterias de íons-lítio e armazenamento de energia, áreas com investimentos crescentes no Brasil
Já o cobre, um dos minerais mais extraídos no Pará, tem índices próximos de 100% de reaproveitamento industrial.
🚮 Uma das formas deste reaproveitamento ocorrer está na destinação correta dos resíduos na ponta do consumo: materiais eletrônicos ou mesmo fios que parecem não ter mais serventia podem ser deixados em ecopontos específicos de lixo eletrônico.
Segundo o Sindicato das Indústrias Minerais do Pará (Simineral), empresas associadas incorporam ações para reduzir a pegada de carbono e fortalecer a economia circular:
Tecnologias de mineração 4.0
Sistemas de reaproveitamento de rejeitos
Digitalização de processos
Ampliação do uso de energia renováve
O Projeto Gelado, no Complexo de Carajás, é um exemplo do uso de sistema de reaproveitamento de rejeitos. O local produz o chamado pellet feed, material com maior teor de ferro, menos impurezas e gerado do reaproveitamento dos rejeitos de minério de ferro acumulados desde 1986 na Barragem do Gelado, que fica em Parauapeba, sudeste do Pará.
Projeto Gelado, no complexo Carajás, reaproveita rejeitos de minério de ferro
A operação, com bombas e dragas 100% elétricas, é uma das ações da chamada mineração circular, como explica Gildiney Sales, Diretor do Corredor Norte da Vale.
A mineração circular é um conceito alinhado à mineração do futuro, com a maximização do uso dos recursos minerais, buscando utilizar os resíduos que são gerados no processo produtivo, como estéril e rejeito, e gerando valor social
Na mesma região, na cidade vizinha de Canaã dos Carajás, onde há uma mina mais recente, de 2016, o sistema de funcionamento é mais tecnológico e não necessita de uma barragem de rejeitos, como o Gelado, nem mesmo água, e também usa menos caminhões no transporte dentro da mina.
🟤 “Quando comparada a uma mina convencional, que utiliza água no processo de mineração, as tecnologias adotadas na operação permitem redução em 95% do consumo de água e 73% em relação a consumo de energia e a redução da emissão de gases do efeito estufa em cerca de 40%”, explica Gildiney Sale.
As empresas também têm investido, junto de suas políticas de compensação ambiental, na proteção de áreas de florestas e reflorestamento. O professor Rômulo Simões Angélica, do Instituto de Geociências da UFPA, já visitou áreas exploradas e lavradas em Paragominas, no sudeste do estado, para retirada de bauxita há 10 anos, e que atualmente estão reflorestadas.
“A questão de recuperação de áreas mineradas é fantástica. Você passa por uma área e não acredita que aquilo ali era buraco e tinha sido lavrado”, diz.
O ex-presidente do Ibama e atual diretor do Grupo Associado de Agricultura Sustentável (Gaas), Eduardo Martins, aponta mais potenciais de reaproveitamentos ainda pouco explorados.
“Rejeitos de mineração não são só rejeitos. Quando você vai minerar, você tem uma parte do material que a gente chama de estéril. E muito do estéril, muito dos rejeitos de várias das áreas, no contexto do Pará, por exemplo, são insumos para agricultura. São remineralizadores que poderiam estar sendo utilizados para fazer a restauração dessas áreas, com um impacto extraordinário”, sugere o biólogo e mestre em ecologia.
O reaproveitamento de minerais, seus rejeitos e ainda a reciclagem de seus bens, sejam fios ou baterias, por exemplo, ainda está em expansão, tanto que ainda não há dados consolidados do estado, segundo a Secretaria de Meio Ambiente (Semas), sobre a quantidade de materiais reciclados por ano, por exemplo.
⛏️ Trabalhos e parceria têm sido desenvolvidas para potencializar e aumentar o potencial da mineração rumo à redução de carbono. O Simineral, por exemplo, pretende coordenar com o Governo do Pará, o Banco de Dados Setorial da Mineração, com informações sobre emissões, energia, recursos hídricos e investimentos sociais, instrumento de governança climática e base técnica para políticas públicas.
A reciclagem de minerais também está inserida no Plano Nacional de Mineração 2030 (PNM-2030), que estabelece metas para avanço da economia circular e redução de novas extrações, e também é abordada na recém criada Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE).
“Essas ações incentivam parcerias com centros de pesquisa, universidades e empresas locais para o desenvolvimento de tecnologias de recuperação de metais em resíduos industriais e eletrônicos, promovendo empregos verdes, eficiência energética e redução de emissões”, afirma o Ministério de Minas e Energia.
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