Brasil Lidera Expansão de Data Centers na América Latina na Corrida Global por IA
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A expansão da infraestrutura digital na América Latina ganhou escala inédita nos últimos anos, impulsionada pela crescente demanda por computação em nuvem e aplicações de inteligência artificial. Nesse cenário, o Brasil consolidou sua posição como principal hub regional de data centers.
Segundo o JLL Latin America Data Center Report, o país concentra cerca de 48% da capacidade instalada em operação na América Latina e 71% de toda a capacidade atualmente em construção, reforçando seu papel central na expansão da infraestrutura digital no continente.
Em 2025, a região registrou entrega recorde de 184 MW (megawatts) de nova capacidade no segmento de colocation, superando o pico anterior de 141 MW em 2022. O termo colocation é quando uma empresa loca uma infraestrutura para hospedar seus servidores e demais equipamentos.
No mercado de data centers, a escala dos projetos é medida menos por metros quadrados e mais por capacidade energética, expressa em megawatts (MW). Essa métrica define o poder de processamento da infraestrutura, o que impacta no valor estratégico desses ativos.
“O que vemos é um mercado que amadureceu, agora com projetos maiores, continuidade em sua expansão e um nível de pré-contratação que dá sustentação aos investimentos”, afirma Bruno Porto, gerente de negócios imobiliários de industrial, logística e data center da JLL.
Segundo Porto, o avanço não ocorre apenas no Brasil, mas também em outros mercados regionais. “A América Latina consolida seus hubs com o Brasil na dianteira. Mas México, Chile e Colômbia reforçam que a escala regional está se tornando cada vez mais distribuída e estratégica”, diz.
A América Latina já soma cerca de 1.105 MW de capacidade instalada em data centers, segundo o relatório. Mesmo com a entrega recorde de novos projetos, a taxa média de vacância permanece próxima de 9%, sinalizando uma demanda ainda muito aquecida. Além disso, a região conta com 683 MW atualmente em construção e um pipeline que ultrapassa 3,8 GW em novos projetos.
Entre os 10 primeiros colocados na região em capacidade instalada, o Brasil ocupa três posições no top 5. Confira o ranking completo abaixo.

Investimentos bilionários
Um exemplo de como o Brasil tomou a dianteira na região vem de um projeto de data center do Ceará. Fruto de uma parceria entre a plataforma Omnia e a Casa dos Ventos, o empreendimento terá 200 MW de capacidade inicial.
Anunciado em novembro do ano passado, o projeto, de R$ 50 bilhões, começou no dia 6 de janeiro deste ano. Entre empregos diretos e indiretos, ele deve gerar 20 mil postos de trabalho, durante e após a sua construção. A Omnia é uma plataforma do Patria Investimentos, e quem deve ocupar o mega projeto é a ByteDance, dona do TikTok, segundo a Reuters.
Já a Ascenty, joint venture entre Digital Realty e Brookfield Infrastructure, anunciou US$ 1 bilhão (R$ 5,2 bilhões) em investimentos para 2026 no Brasil, México e Chile, países onde já opera 25 data centers e mantém novos projetos em desenvolvimento. Entre os 13 projetos em desenvolvimento da Ascenty está o SPO05, na Grande São Paulo. Ele terá investimento de cerca de R$ 300 milhões, capacidade de 47 MW e área construída aproximada de 40 mil metros quadrados.
Campinas surge como novo polo de expansão
Tradicionalmente concentrado na região metropolitana de São Paulo, o mercado de data centers começa a se deslocar para novas áreas com maior disponibilidade de infraestrutura e terrenos. Campinas, no interior paulista, desponta como um dos principais polos de crescimento.
“Barueri e São Paulo têm uma dificuldade muito grande de encontrar terrenos. O terreno, quando encontra, é muito caro”, afirma Porto.
Segundo ele, Campinas reúne uma combinação de fatores que favorece a expansão do setor. “Campinas tem muita área rural para desenvolvimento, o preço é interessante e possui pelo menos três ou quatro subestações com uma capacidade interessante de energia”, avalia.
A disponibilidade energética é considerada um fator crítico para o desenvolvimento de novos projetos.
Inteligência artificial muda escala do setor
A expansão recente do setor também reflete uma mudança estrutural na demanda por capacidade computacional. Enquanto data centers voltados para serviços de nuvem costumam operar com cargas entre 30 e 50 megawatts (MW), instalações voltadas para inteligência artificial exigem volumes significativamente maiores.
Os data centers voltados para IA podem chegar a 300 ou 500 MW, o que demanda mais terreno para a sua construção. O aumento da capacidade necessária reflete o avanço de aplicações baseadas em IA generativa, que demandam maior poder de processamento.
Análises de mercado global apontam que o investimento global em infraestrutura de data centers pode atingir entre US$ 3 trilhões e US$ 4 trilhões por ano até o final da década, justamente impulsionado pela expansão da inteligência artificial. Nesse cenário, empresas de tecnologia ampliam investimentos em infraestrutura para suportar a demanda por processamento.

O Brasil deve atrair cerca de US$ 33 bilhões até 2030, segundo o Global Data Center Outlook 2026, sendo que um terço desta quantia deverá ser destinada a investimentos imobiliários, e o restante, em equipamentos de infraestrutura tecnológica. Modelo de locação acelera expansão
Para viabilizar projetos em grande escala, muitas empresas adotam um modelo híbrido de infraestrutura. Segundo Porto, é comum que companhias operem parte de seus data centers próprios e utilizem estruturas alugadas de operadores especializados. “Normalmente a estratégia é mista. Aproximadamente um terço é infraestrutura própria e dois terços são locados”, explica.
Esse modelo permite maior rapidez na expansão das operações. “Quando a empresa chega em um operador que já conhece toda a infraestrutura elétrica e regulatória do país, ela consegue implantar o data center muito mais rapidamente.”
A estratégia também garante redundância operacional. “Se acontece um acidente ou algum problema de energia em um local, é preciso ter redundância para garantir que as operações continuem funcionando 24 horas por dia, sete dias por semana.”
Energia e infraestrutura ainda são desafios
Apesar do crescimento acelerado, a expansão do setor depende da disponibilidade de energia e da capacidade de transmissão elétrica. O Brasil possui uma vantagem competitiva relevante nesse aspecto, já que cerca de 90% da matriz elétrica nacional é composta por fontes renováveis, um fator que tem atraído empresas globais de tecnologia com metas ambientais.
Por outro lado, a infraestrutura de transmissão ainda representa um gargalo. Dados do setor elétrico indicam que mais de 20% da energia solar e eólica gerada no país deixou de ser utilizada em 2024, devido à limitação das redes de transmissão para escoar a produção.
Segundo ele, o custo principal de um projeto não está na construção do prédio, mas nos equipamentos instalados. “A maior parte do investimento está no maquinário que fica dentro do data center.”
Brasil ainda está distante dos maiores mercados
Apesar da liderança regional, o Brasil ainda ocupa uma posição intermediária no mercado global de data centers. Estimativas do setor indicam que o país atualmente figura na 14ª posição entre os maiores mercados do mundo, com expectativa de avançar no ranking nos próximos anos. “O Brasil vai continuar sendo um hub líder na América Latina”, afirma Porto.
Mundialmente, quem controla a maior parte deste mercado é os Estados Unidos, com Northern Virginia se destacando como o grande polo mundial, seguida por Chicago, Phoenix, Dallas e Atlanta.
No entanto, ele ressalta que a diferença em relação aos maiores mercados globais ainda é significativa. “Estamos falando de mercados que são 10 ou 20 vezes maiores que o Brasil”, diz.
Incentivos fiscais entram no centro do debate
Além da infraestrutura energética, a competitividade do Brasil na atração de data centers também depende de fatores tributários. O Redata (Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter), que previa benefícios fiscais para a importação de equipamentos do setor, perdeu validade após não ser votado pelo Senado dentro do prazo legal.
Em entrevistas, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que o governo estuda alternativas para retomar a proposta. Segundo ele, a medida está relacionada à estratégia de “soberania digital” do país.
Para o setor, a carga tributária sobre equipamentos de alto valor, como GPUs e servidores, é um fator determinante na decisão de investimento das empresas. “O data center do Google poderia estar aqui se a gente tivesse um cenário fiscal mais interessante”, afirma Porto.
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