Do Status Ao Bem Estar: A Casa Ideal Dos Americanos Mudou Em 20 Anos
A Zillow, uma das principais plataformas imobiliárias dos Estados Unidos, divulgou um estudo indicando que o “lar ideal” dos americanos mudou nos últimos 20 anos. As antigas McMansions, casas gigantescas, beges e projetadas primordialmente para ostentar status social e que dominavam o mercado em 2006, deram lugar a um modelo que prioriza bem-estar, funcionalidade e conexão pessoal, além de uma metragem menor.
A plataforma chegou a essa conclusão analisando milhões de anúncios de imóveis à venda e as informações contidas neles. Toda vez que um corretor preenche a descrição de um anúncio, ele precisa incluir as características que costumam ser as mais desejáveis para um comprador.
“Lembre-se: não se pode anunciar o que não existe. Portanto, as mudanças na frequência de palavras-chave nos anúncios refletem não apenas o que os compradores desejam, mas também quais características os proprietários estão de fato instalando com mais frequência”, afirma Amanda Pendleton, especialista em tendências de moradia da Zillow, em entrevista à Forbes Brasil.
Segundo os dados do estudo da Zillow, a ideia de “quanto maior, melhor”, ficou no passado. E, neste grande espaço, cabia um caldeirão de elementos de influência toscana, mediterrânea e do renascimento colonial em uma área construída “desproporcionalmente grande”.
“As casas apresentavam imponentes halls de entrada de dois andares, portas em arco, colunas decorativas e telhados complexos projetados para projetar prosperidade a partir da rua. Os anúncios destacavam salas de estar e salas de jantar formais, espaços reservados para ocasiões especiais em vez de uso diário. Os home theaters eram vistos como símbolos de status: quanto maior a tela, melhor”, diz um trecho da análise.
Hoje, os compradores estão muito menos interessados em impressionar os convidados e mais focados em como a casa é útil para as suas necessidades. Desde 2018, os tamanhos dos lotes diminuíram de forma significativa. Uma das curiosidades é que as menções a cantinhos de leitura aumentaram 48% nos anúncios, um indicativo de que os moradores querem espaços mais reservados, mesmo que menores.
O estudo indica que essa transformação é diretamente influenciada pelas pressões econômicas de acessibilidade, que levam os compradores a buscarem imóveis que trabalhem mais, ou seja, que sejam mais eficientes e custem menos com manutenção, aquecimento e seguro. “O aumento dos custos obrigou os compradores a serem mais criteriosos, o que acelerou uma redefinição mais ampla do conforto”, diz Amanda.
As cores também mudaram. O bege “Sand Dollar”, um tom neutro, suave e claro, onipresente de 2006, foi trocado por cores saturadas, enquanto itens de lazer como quadras de pickleball, simuladores de golfe e spas residenciais ganharam destaque.
Outro aspecto que mudou foi a eficiência energética. Em 2006, ela era uma preocupação secundária. Atualmente, anúncios de residências que mencionam consumo energético zero aumentaram 70%. Os que mencionam baterias para toda a casa subiram 40%, e as estações de carregamento para veículos elétricos, 25%.

Abaixo, a entrevista com Amanda Pendleton, onde ela detalha os bastidores dessa evolução e o que os dados dizem sobre o futuro do mercado.
Forbes Brasil – O que 20 anos de dados de anúncios imobiliários nos dizem sobre a mudança cultural na forma como os americanos definem a “casa ideal”?
Amanda Pendleton – Houve uma profunda mudança cultural no que os americanos valorizam em um lar. Em meados dos anos 2000, a casa “ideal” era sinônimo de tamanho e status. Imóveis maiores, cômodos formais e acabamentos que impressionavam eram muito procurados. Hoje, a casa ideal não é mais um troféu; é um santuário. Os compradores querem espaços que sejam pessoais, flexíveis e que apoiem a vida real, e não apenas valor de revenda.
Qual foi a metodologia empregada no estudo?
Esta análise baseia-se em milhões de anúncios de imóveis à venda publicados no Zillow. Examinamos a frequência com que características arquitetônicas específicas, plantas, acabamentos e comodidades foram mencionados nos anúncios. Ao rastrear as mudanças na prevalência dessas palavras-chave, podemos identificar alterações significativas no que os vendedores destacam e no que os compradores consideram atraente
Em que medida a tendência para casas menores e mais funcionais é impulsionada por pressões de acessibilidade financeira?
A acessibilidade é um catalisador importante, mas não é tudo. O aumento dos custos obrigou os compradores a serem mais criteriosos, o que acelerou uma redefinição mais ampla do conforto. As pessoas estão priorizando casas eficientes, adaptáveis e fáceis de manter, em vez de simplesmente maximizar a área construída. Casas menores ainda podem transmitir uma sensação de alta qualidade quando cada cômodo tem uma função clara e facilita a rotina diária.
Por que os compradores agora buscam mais privacidade e espaços definidos dentro de casa?
Plantas abertas refletiam uma época em que as casas eram principalmente espaços sociais. Hoje, as pessoas precisam que suas casas sejam mais do que isso. O trabalho remoto ou os horários híbridos e a maior atenção à saúde mental tornaram a privacidade e a separação essenciais. O aumento de espaços definidos, como cantinhos de leitura e salas multifuncionais, indica que os compradores buscam equilíbrio: espaços abertos quando desejam conexão e separação quando precisam de foco ou descanso.
Os dados mostram um aumento acentuado no uso de cores vibrantes e na autoexpressão. É uma tendência estética?
Isso vai além da estética. Escolhas de cores ousadas refletem uma mudança emocional mais profunda na forma como as pessoas se relacionam com suas casas. Em vez de projetar para um futuro comprador imaginário, os proprietários estão projetando para si mesmos. A casa se tornou um lugar de identidade e conforto, não de neutralidade. Cores vibrantes e tons mais escuros podem transformar um espaço em um santuário, o que reforça o desejo de se sentir acolhido. As pessoas querem que suas casas reflitam quem elas são, não apenas o que é comercialmente viável.
Sustentabilidade e resiliência climática parecem ter deixado de ser “diferenciais”. Como esses aspectos estão afetando os preços?
Estamos vendo a sustentabilidade e a resiliência influenciar diretamente a demanda e o valor percebido. Recursos como preparação para energia zero, baterias para toda a casa e carregamento de veículos elétricos não são apenas melhorias que geram satisfação; são cada vez mais esperados. À medida que os riscos climáticos se tornam mais visíveis, os compradores consideram os custos operacionais a longo prazo, as implicações do seguro e a tranquilidade em suas decisões. Casas construídas com foco em eficiência e resiliência estão em melhor posição para manter seu valor ao longo do tempo.
Essas tendências refletem o comportamento real dos compradores ou, principalmente, a forma como os imóveis estão sendo comercializados atualmente?
Os corretores de imóveis têm uma percepção única do que os compradores procuram em determinado momento. Eles têm um número limitado de caracteres permitidos na descrição de um imóvel à venda, então as características que são incluídas costumam ser as mais desejáveis para um comprador. Lembre-se: não se pode anunciar o que não existe. Um imóvel à venda precisa ter essas características para que elas sejam mencionadas na descrição do anúncio; portanto, as mudanças na frequência de palavras-chave nos anúncios refletem não apenas o que os compradores desejam, mas também quais características os proprietários estão instalando com mais frequência.
#Status #Bem #Estar #Casa #Ideal #Dos #Americanos #Mudou #Anos
Observação da postagem
Nosso site faz a postagem de parte do artigo original retirado do feed de notícias do site forbe Brasil
O feed de notícias da Forbes Brasil apresenta as últimas atualizações sobre finanças, investimentos e tendências econômicas. Com análises detalhadas e insights de especialistas, a plataforma aborda tópicos relevantes como mercado de ações, criptomoedas, e inovação em negócios. Além disso, destaca histórias de empreendedores e empresas que estão moldando o futuro da economia. A Forbes também oferece dicas sobre gestão financeira e estratégias para aumentar a riqueza pessoal. Com um enfoque em informações precisas e relevantes, o site se torna uma fonte confiável para quem busca se manter atualizado no mundo financeiro.
Palavras chaves
Do Status Ao Bem Estar: A Casa Ideal Dos Americanos Mudou Em 20 Anos
Notícias de finanças
Mercado financeiro hoje
Análise de mercado de ações
Investimentos em 2024
Previsão econômica 2024
Tendências do mercado de ações
Notícias sobre economia global
Como investir na bolsa de valores
Últimas notícias financeiras
Mercado de ações ao vivo
Notícias de economia mundial
Análise de investimentos
Dicas para investir em ações
Previsão de crescimento econômico
Como começar a investir
Análises financeiras atualizadas
Mercado de criptomoedas hoje
Previsão de recessão econômica
Finanças pessoais e investimentos
Notícias sobre bancos e finanças
