Nova Regra Ambiental Nos EUA Pode Pressionar Preços de Imóveis de Luxo
O formaldeído é reconhecido como um risco crônico à saúde e um agente cancerígeno. Ele vem sendo estudado por diversas agências federais desde a década de 1980 e é regulamentado pela Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, a EPA, desde 2010.
Essa substância tóxica pode ser encontrada em inúmeras categorias de produtos, incluindo “artigos de madeira composta, plásticos, tintas, adesivos e selantes”, segundo a própria EPA. Em dezembro de 2025, a agência anunciou uma versão atualizada do memorando preliminar de cálculo de risco do formaldeído para consulta pública.
Considerando que muitos desses produtos estão incorporados às casas e condomínios, profissionais das áreas de sustentabilidade, design e mercado imobiliário analisaram os possíveis desdobramentos de mudanças regulatórias e seus impactos nas residências e na saúde da população.
Impactos regulatórios
“A política sobre formaldeído não é um debate abstrato sobre substâncias químicas. Ela aparece nas decisões do dia a dia sobre armários, pisos, móveis planejados, mobiliário, isolamentos, adesivos e prazos de reforma”, afirma Ben Stapleton, diretor executivo do USGBC California, organização sem fins lucrativos voltada à sustentabilidade.
Ele destaca a preocupação de que o público interprete o termo “reavaliação” como sinônimo de “risco reduzido”. A Califórnia, lembra ele, classifica o formaldeído como substância preocupante para câncer por meio da Proposição 65.
Segundo Stapleton, a definição dos limites permitidos é determinante, pois pode alterar o grau de proteção oferecido às populações sensíveis e às condições reais de exposição em ambientes internos, onde múltiplas fontes podem se acumular durante reformas e novas construções.
Essas populações mais sensíveis costumam buscar profissionais especializados em design voltado ao bem-estar. Jennifer Beckley Sides, designer de interiores na região de Los Angeles, ressalta que alguns dos principais itens especificados em projetos residenciais podem ser impactados por regulamentações menos rigorosas sobre formaldeído.
Impactos por categoria
Caso os níveis permitidos aumentem de forma significativa, as categorias mais afetadas tendem a ser pisos, especialmente madeira engenheirada, além de marcenaria e mobiliário mais acessível, devido ao uso de aglomerado ou MDF e às colas empregadas na fabricação desses materiais, explica Sides.
O tema deve continuar sendo discutido com clientes, especialmente aqueles mais atentos à saúde ou que enfrentam condições médicas específicas. A importância de considerar saúde e durabilidade na escolha de materiais, principalmente em investimentos permanentes como pisos e armários, torna-se ainda mais relevante diante da possibilidade de flexibilização regulatória.
Em um cenário econômico marcado por inflação, tarifas, aumento dos custos de seguro e incerteza no mercado de trabalho, essas preocupações frequentemente entram em conflito com restrições orçamentárias.
Ainda assim, profissionais da área destacam a necessidade de informar clientes sobre os riscos associados a materiais de menor custo e de incentivar investimentos em soluções mais saudáveis e duráveis. No longo prazo, a análise de custo tende a favorecer materiais de maior qualidade em relação às opções rápidas e baratas.
Impactos nas vendas
Observa-se uma desconexão entre o nível de conscientização do público sobre os riscos dos materiais tóxicos na construção e o apelo financeiro imediato de produtos de menor custo. A lacuna na educação do consumidor sobre os impactos do formaldeído e de outras toxinas ainda é significativa, e, na economia atual, o preço reduzido frequentemente pesa mais do que os potenciais riscos à saúde. Marcas que promovem produtos mais saudáveis tendem a se beneficiar à medida que a informação sobre esses riscos se amplia.
Michelle Silverman, profissional de vendas imobiliárias em La Jolla, aponta um aumento na conscientização sobre produtos químicos nocivos, embora muitos compradores ainda dependam de especialistas para orientação nesse aspecto. Clientes do segmento de alto padrão tendem a ser mais informados e a buscar ativamente materiais não tóxicos para suas residências.
Uma vez atendidos os demais critérios prioritários, características relacionadas à saúde influenciam diretamente a disposição dos compradores em apresentar ofertas mais competitivas. Imóveis com esses atributos inspiram maior confiança e demonstram vantagem clara em relação aos demais.
No período pós-pandemia, registra-se crescimento significativo no interesse por características de casas saudáveis, especialmente entre compradores de luxo. Sistemas de climatização e filtragem aprimorados, acabamentos com baixo teor de compostos orgânicos voláteis, janelas operáveis e integração entre ambientes internos e externos passaram a ser fatores decisivos na escolha de um imóvel.
A pandemia alterou a percepção sobre o papel da moradia, que deixou de ser apenas espaço de residência para se tornar um ambiente diretamente associado à saúde física e mental. Entre compradores mais jovens, essa tendência é ainda mais evidente, embora fatores econômicos também venham a influenciar as decisões.
Consumidores de maior renda costumam buscar elementos integrados de bem-estar, frequentemente baseados em tecnologia e posicionados em faixa premium. Já compradores com orçamento mais restrito, geralmente proprietários de primeira viagem, priorizam indicadores práticos e acessíveis de uma casa saudável, como ventilação adequada, sistemas atualizados e acesso a áreas externas.
Em todos os perfis, a vida orientada à saúde tornou-se prioridade. Esse movimento não se restringe à Califórnia. Relatório de junho de 2025 do Global Wellness Institute, analisando mercados ao redor do mundo, incluindo os Estados Unidos, apontou crescimento anual de 17,9%. Ainda assim, o maior mercado do país mantém algumas das regulamentações ambientais mais rigorosas, cenário que não deve sofrer alterações significativas em 2026.
Impactos regionais
Caso a postura federal seja considerada menos protetiva, a expectativa é que a Califórnia continue utilizando suas autoridades e mecanismos de mercado para incentivar produtos de baixa emissão, avalia Stapleton. Um dos riscos apontados é a formação de um mercado dividido entre produtos que atendem apenas ao padrão federal mínimo e aqueles que cumprem exigências mais rigorosas da Califórnia e de certificações ambientais avançadas. Essa dualidade pode gerar confusão para compradores e desafios operacionais para construtores.
Devido ao seu porte econômico, a Califórnia frequentemente estabelece padrões que acabam sendo adotados nacionalmente, uma vez que fabricantes evitam criar linhas distintas para um único mercado, ainda mais quando se trata da quarta maior economia do mundo. Assim, movimentos regulatórios no estado tendem a influenciar cadeias de suprimento em todo o país.
Impacto não será imediato
Mudanças regulatórias da EPA não impactam o mercado de forma imediata. Cadeias de suprimento, fabricantes e construtores demandam tempo para adaptação. Após a publicação de uma regra final, costuma haver período de implementação que pode variar de vários meses a alguns anos, dependendo do escopo, para testes, certificações, rotulagem e renovação de estoques.
Alterações tornam-se perceptíveis ao consumidor quando os estoques nas lojas são totalmente renovados, normalmente entre 12 e 24 meses após a definição dos requisitos finais, podendo levar mais tempo para produtos especializados.
O ambiente construído é onde as pessoas passam a maior parte do tempo. Estimativas da EPA indicam que esse percentual chega a 90%. Assim, alterações nas premissas regulatórias sobre o formaldeído se refletem diretamente na qualidade do ar interno, especialmente para crianças, idosos e pessoas com asma ou sensibilidade química.
A qualidade do ar interno deixou de ser um tema restrito à construção sustentável e passou a integrar o debate central sobre habitação. No mercado imobiliário atual, imóveis que promovem um estilo de vida saudável tendem a vender mais rapidamente e alcançar valores mais elevados, refletindo uma mudança estrutural nas prioridades dos compradores.
Reportagem originalmente publicada em Forbes.com
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