Pentágono prepara 1.500 soldados para possível envio ao Minnesota | G1

Agentes federais detêm manifestante em Saint Paul, Minnesota, em 8 de janeiro de 2026.
OCTAVIO JONES / AFP
O Pentágono ordenou que cerca de 1.500 soldados do Exército dos Estados Unidos se preparassem para um possível deslocamento a Minnesota, informaram autoridades de defesa ao Washington Post neste sábado (17).
Os militares pertencem a dois batalhões de infantaria da 11ª Divisão Aerotransportada, sediada no Alasca e especializada em operações em clima frio.
As unidades foram colocadas em estado de prontidão caso a violência no estado aumente. Segundo as autoridades, a medida é considerada um “planejamento prudente”.
Ainda não há decisão sobre o envio efetivo das tropas. As informações foram repassadas sob condição de anonimato, já que tratam de planejamento militar sensível.
Em nota, a Casa Branca afirmou que é comum o Pentágono se preparar para “qualquer decisão que o presidente possa ou não tomar”. O Departamento de Defesa não comentou.
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Trump diz que invocará lei do século XIX
A medida surge depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter ameaçado usar a Lei da Insurreição caso as autoridades do estado não impeçam os manifestantes de atacar agentes de imigração.
Trump disse na quinta-feira (15) que, caso os protestos no estado de Minnesota continuem, invocará a Lei de Insurreição para o estado. O mecanismo, de 1807, autoriza o governo a fazer uso das Forças Armadas dentro de solo norte-americano.
➡️ Manifestantes aumentaram os protestos no estado desde que agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE) mataram a tiros Renee Nicole Good, uma norte-americana de 37 anos que passava de carro em meio a uma manifestação contra a presença do ICE na região.
“Se os políticos corruptos de Minnesota não obedecerem à lei e impedirem que agitadores profissionais e insurgentes ataquem os Patriotas do ICE, que estão apenas tentando fazer seu trabalho, instituirei a Lei de Insurreição”, escreveu Trump em sua rede social Truth Social.
No dia seguinte, o presidente moderou o discurso e disse que não havia necessidade de usar o instrumento “neste momento”, mas reforçou que poderia fazê-lo se julgasse necessário.
A Lei ou Ato de Insurreição é uma legislação criada em 1807 nos EUA para permitir que o governo envie as Forças Armadas a um estado ou região dentro dos Estados Unidos em caso de insurreição.
A medida já foi invocada por presidentes dos EUA para enviar tropas aos EUA em resposta a crises como a ascensão da Ku Klux Klan, logo após a Guerra Civil Americana.
A última vez em que a legislação foi utilizada foi em 1992, pelo então presidente George H.W. Bush quando o governador da Califórnia solicitou ajuda militar para reprimir os protestos em Los Angeles após o julgamento de policiais que espancaram o motorista negro Rodney King.
Conflito com autoridades locais
As tensões aumentaram após o governo federal intensificar operações de imigração no estado. Desde dezembro, o Departamento de Segurança Interna conduz uma operação que resultou na prisão de centenas de pessoas e em confrontos entre agentes federais e manifestantes.
Neste mês, agentes do ICE atiraram em duas pessoas durante uma abordagem: uma cidadã americana morreu e um migrante venezuelano ficou ferido.
O governador de Minnesota, Tim Walz, e o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, pediram que os protestos permaneçam pacíficos. Walz autorizou a mobilização da Guarda Nacional do estado para apoiar as forças locais, mas, até agora, não determinou seu envio às ruas.
Autoridades estaduais também entraram com uma ação contra o governo federal, alegando que a operação viola a Constituição. O procurador-geral de Minnesota, Keith Ellison, classificou a ação como uma “invasão federal”.
Precedentes e disputas judiciais
De acordo com o Washington Post, outras mobilizações militares internas determinadas por Trump já foram questionadas na Justiça.
Em um dos casos mais recentes, a Suprema Corte decidiu que o governo não apresentou base legal suficiente para o uso das Forças Armadas em ações de aplicação da lei em alguns estados, citando possíveis violações da Lei Posse Comitatus, que limita o uso de militares em funções policiais.
Atualmente, mais de 2.600 integrantes da Guarda Nacional seguem mobilizados em Washington, operação que foi estendida até o fim de 2026.
Fotos mostram protestos em Minnesota após agente do ICE atirar e matar Renee Nicole Good
AP e AFP
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